Evelyn Waugh

Arthur Evelyn St. John Waugh foi um escritor britânico, conhecido sobretudo pela sua obra Reviver o Passado em Brideshead (Memórias de Brideshead, no Brasil e Brideshead Revisited em inglês) que deu origem à aclamada série de televisão homónima produzida pela Granada Television. Não obstante, nos meios literários, ele é considerado um dos maiores satiristas ingleses do século XX.

O clã Waugh tem uma vasta tradição literária. Somando a obra de filhos, netos e bisnetos do editor Arthur Waugh – pai de Evelyn –, chega-se a cerca de 180 livros. Evelyn é a estrela mais brilhante dessa constelação familiar. Mas o seu próprio pai não o reconhecia como tal: o filho preferido era Alec, o mais velho. Escritor de sucesso na sua época, Alec caiu no esquecimento. Evelyn, ao contrário, ainda é uma influência vibrante na literatura inglesa – basta lembrar o romance vencedor do prémio Booker Prize de 2004, A Linha da Beleza, de Alan Hollinghurst, uma clara revisão de Memórias de Brideshead, um dos romances mais célebres de Waugh (Hollinghurst apenas tornou mais explícito o subtexto homossexual do livro original).

As relações de pai e filho dos Waugh – desveladas em detalhe no recente Fathers and Sons, "autobiografia familiar" de Alexander Waugh, neto de Evelyn – dariam matéria para muita especulação psicanalítica. O próprio Evelyn, que teve sete filhos, era um pai odioso. Apelidou uma filha obesa de "leitoa" e não escondia seu desapreço por crianças. "São adultos defeituosos", definiu. Waugh foi um jovem perdido. Tentou a vida como professor, mas não conseguia segurar um emprego por muito tempo. Bebia muito gim e tinha ímpetos autodestrutivos. Em 1925, determinado a matar-se por afogamento, nadou mar adentro numa praia do País de Gales – mas desistiu do suicídio ao ser queimado por uma água-viva.


Foi salvo pela literatura e pelo catolicismo, ao qual se converteu em 1930, depois de se divorciar da primeira mulher. Na II Guerra, lutou em Creta e na Jugoslávia, experiência fundamental para a composição de A Espada de Honra. Na contra-mão do esquerdismo que dominou a vida cultural britânica no pós-guerra, Waugh cultivou a imagem pública de um reacionário raivoso. A fama de snob também se colou ao autor, por causa da crónica detalhada que ele faz da aristocracia inglesa em romances como Um Punhado de Pó e Memórias de Brideshead. Waugh aceitou o rótulo com alguma reticência.

Em 1947, numa carta a uma revista irlandesa que o criticara, observava que o snobismo não é necessariamente contrário à caridade, virtude que, como católico, ele prezava. O facto, porém, é que essa é uma imputação tola: os aristocratas não são tratados com deferência na ficção de Waugh.

Guy Crouchback, protagonista da trilogia A Espada de Honra, é exemplar nesse sentido: divorciado e sem filhos, ele é o fim de uma linhagem nobre tão antiga quanto decadente (o seu pai viu-se obrigado a vender a propriedade rural do clã). Com a cabeça cheia de ideais cavalheirescos, alista-se nas Forças Armadas para lutar contra o nazismo, embora, com 35 anos, já esteja passando da idade própria para o campo de batalha. Ao longo dos três volumes da série, Guy fatalmente desilude-se com a vida militar.

O próprio catolicismo nem sempre é apresentado sob uma luz favorável – padres venais aparecem como personagens secundários da trama. Waugh parecia acreditar que a fé católica sobrevivia às falhas de seus representantes. O seu método literário era submeter todos os valores às rasteiras da ironia. O que parasse de pé mereceria respeito.

Nasceu a 28 de Outubro de 1903 , Londres, Inglaterra
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